Salvador s’inscrira-telle dans la durabilité? par Augusto Queiroz

 Ces jours derniers, une tribune, qui replace Salvador dans une réalité crue, fut publiée dans le principal quotidien de la capitale. Elle a retenu toute notre attention et nous la traduisons. Son auteur, Augusto Queiroz, est journaliste, et publie régulièrement ses traductions, à Bahia, de nombreux éditoriaux du quotidien El Pais (Madrid) et du New York Times, ainsi que des analyses de Noam Chomsky. Cet article nous semble un contrepoint à sa semblable, signée cette semaine, ici, par le dramaturge Gil Vicente Tavares.

Salvador s’inscrira-t-elle dans la durabilité ?

Salvador, 2010, vingt et unième siècle. Troisième millénaire. La grande métropole est toute empêtrée, avec des embouillages quotidiens et des rétentions du trafic en de nombreux points. La maille routière, sans lourds investissements depuis des dizaines d’années, ne supporte plus l’énorme flux de véhicules. Le nombre de voitures en circulation dépasse les sept cent mille, et le transport individuel est favorisé prioritairement au détriment d’un transport de masse de qualité.
Squelettes d’un métro inachevé, qui est déjà quasiment devenu une ruine avant d’être inauguré, qui effraye les passants. Empêtrée, la ville emprunte à contre sens le chemin de la modernité. Problème qui s’aggrave chaque jour, par manque d’une politique consistante pour le secteur.
Comme si cela ne suffisait pas, la violence explose littéralement, avec des assassinats quotidiens et le crime organisé en ascension. Le trafic de drogues, en plus de gérer de grands bénéfices, vient promouvoir la décadence et l’extermination de centaines de jeunes, adultes et mêmes enfants. Principalement pour le compte d’une nouvelle et puissante drogue, connue comme crack, un sale mélange, sous-produit de la cocaïne, qui réserve à ses consommateurs, selon la propagande officielle « le cercueil ou la prison ».
La ville n’a pas grandi, elle a enflé. La population explose de manière alarmante, et les favelas se multiplient. Des familles entières de misérables occupent les rues, les places et les viaducs, partout. Tentant de nier le chaos et la réalité aux alentours, la spéculation immobilière offre à l’apeurée et opprimée classe moyenne de véritables « îles de fantaisie », avec piscine et de nombreuses options de loisir. Murées, grillagées, électrifiées et gardées par des chiens et des vigiles, comme si le citoyen pouvait vivre écarté de la vie de la cité et n’avait besoin de sortir de son paradis artificiel.
Ne prends pas peur, lecteur, imaginant que ce que vous venez de lire est le scénario d’un film de fiction scientifique dans un éloigné futur. Réveillez-vous, c’est la pure réalité. Aussi cruelle qu’elle soit et telle que nous ne voulons pas la voir, noyant nos déboires dans le sexe, la boisson, le rock’n’roll ou, pour ce qui se concerne Bahia, la musique axé.
Salvador est durable, à la fin ? Quelle ville voulons-nous laisser pour nos fils, petit-fils, arrières-petits-fils ? Pouvons-nous échanger ce sombre présent et marcher en direction d’un futur meilleur ? Discuter, débattre, entrevoir des solutions qui s’incluent dans la durabilité. C’est l’objectif des débats qui sont promus par le Partido Verde de la capitale et se prolongeront jusque fin 2011.
Quelle ville souhaitons-nous, à la fin ? Comme dirait le poète : « Nous vivons dans la meilleure ville d’Amérique du Sud ». Ou nous pourrions vivre, cela serait plus juste. Une ville fantastique, divisée en haute et basse et magnifiquement courbée sur une faille géologique d’où s’étale, souveraine, la Baia de Todos-os-santos. Où un jour l’ont chassait les baleines, qui aujourd’hui reviennent, chantant et nous enchantant. Cette fois, dûment protégées de la fureur humaine, qui n’a plus besoin de sa graisse pour construire palissades et bâtisses.
Tous les saints bénissent cette baie, découverte en 1501 et qui a donné le nom à l’État et à la « Cité de Bahia », première capitale et, durant de nombreuses années, « perle » et principal port de l’Atlantique Sud. Cible de nombreuses armées et convoitée par les Anglais et les Hollandais (qui, d’ailleurs, l’envahirent). Ville, qui, grâçe à son excellente localisation, s’est convertie en un des points de référence les plus importants pour les navigateurs de l’époque et devint un des lieux les plus connus du Nouveau Monde.
« Il me suffirait que le maire laisse une marque dans la ville de Bahia » (chante de nouveau le poète), fondée officiellement le 29 mars 1549 pour être la capitale du naissant Empire Portugais en Amérique. La ville de Sao Salvador da Baia de Todos-Os-Santos, qui, entre les seizième et dix-septième siècles, grâçe à sa stratégique localisation, remplit un rôle important dans l’expansion du domaine lusophone dans tout le Pays, transformant Salvador en le plus grand port de l’Atlantique Sud et en la seconde plus grande ville de l’Empire Portugais. Assez d’histoire, bienvenue au monde réel. Welcome to the real world ! Nous revenons à la « fiction scientifique » du vingt-et-unième siècle. Here and now. Ici et maintenant! Le débat en faveur d’un possible durable de Salvador est ouvert
.

Augusto Queiroz – Printemps 2010 du XXIe siècle

 ——————-

Salvador, será sustentável?
Salvador, 2010, século 21 do Terceiro Milênio. A grande metrópole está travada, com engarrafamentos diários e retenções do trânsito em vários pontos. A malha viária, sem investimentos de peso há décadas, não suporta mais o grande fluxo de veículos. O número de carros em circulação passa dos 700 mil e o transporte individual é priorizado em detrimento de um transporte de massa de qualidade.
Esqueletos de um metrô inacabado, que quase virou ruína antes de ser inaugurado, assombra os transeuntes. Travada, a cidade trafega na contramão da modernidade. Problema que se agrava dia-a-dia, por falta de uma política consistente para o setor.
Como se não bastasse, a violência literalmente dispara, com assassinatos diários e crime organizado em ascensão. O tráfico de drogas, além de gerar grandes lucros, vem promovendo a decadência e o extermínio de centenas de jovens, adultos e até crianças. Principalmente por conta de uma nova e poderosa droga, conhecida como crack, um entopercente sujo, subproduto da cocaína, que reserva para seus usuários, segundo a propaganda oficial, « cadeia ou caixão ».
A cidade não cresceu, inchou. A população explode assustadoramente e as favelas se multiplicam. Famílias inteiras de miseráveis ocupam ruas, praças e viadutos em toda parte. Tentando negar o caos e a realidade ao redor, a especulação imobiliária oferece à assustada e oprimida classe média verdadeiras « ilhas da fantasia », com piscina e muitas opções de lazer. Muradas, gradeadas, eletrificadas e vigiadas por cães e guardas, como se o cidadão pudesse viver apartado da vida da cidade e não precisasse sair do seu paraíso artificial.
Não se assuste, leitor, imaginando que o que você leu acima é o roteiro de algum filme de ficção científica num futuro distante. Acorde, baby! That’s real! É a pura realidade! Por mais cruel que seja e por mais que não a queiramos ver, afogando nossas mágoas no sexo, na bebida, na droga, no rock’n’roll ou, em se tratando de Bahia, no axé.
Salvador é sustentável, afinal? Que cidade queremos deixar para nossos filhos, netos, bisnetos? Podemos reverter este presente sombrio e caminhar na direção de um futuro melhor? Discutir, debater, vislumbrar soluções na direção da sustentabilidade. É o objetivo dos debates que estao sendo promovidos pelo Partido Verde da capital e se prolongarão até o final de 2011.
Que cidade queremos, afinal? Como diria o poeta: « vivemos na melhor cidade da América do Sul ». Ou poderíamos viver, seria o mais certo. Uma cidade fantástica, dividida em alta e baixa e magnificamente debruçada sobre uma falha geológica de onde se deslumbra, soberana, a Baía de Todos os Santos. Onde um dia se caçaram baleias, que hoje estão de volta, a cantar e encantar. Desta vez, devidamente protegidas da sanha humana, que já não precisa da sua banha para erguer paliçadas e sobrados.
Todos os santos abençoam esta baía, descoberta em 1501 e que deu nome ao estado e à « Cidade da Bahia », primeira capital e, por muitos anos, « pérola » e principal porto do Atlântico Sul. Alvo de muitas armadas e cobiçada por ingleses e holandeses (que por sinal a invadiram). Cidade que, graças à sua excelente localização, se converteu em um dos pontos de referência mais importantes para os navegantes da época e passou a ser um dos lugares mais conhecidos do Novo Mundo.
A mim, bastaria que o prefeito desse um jeito nesta cidade (canta de novo o poeta), fundada oficialmente em 29 de março de 1549 para ser a capital do nascente Império Português na América. A Cidade de São Salvador da Baía de Todos os Santos, que entre os séculos XVI e XVIII, graças a sua estratégica localização, desempenhou um importante papel na expansão do domínio lusitano em todo o país, transformando Salvador no maior porto do Atlântico Sul e segunda maior cidade do Império Português.
Chega de história! Welcome to the real world. Bem vindo ao mundo real! Voltemos à « ficção científica » do século 21. Here and now. Aqui e agora! Está aberto o debate em prol de uma possível Salvador Sustentável!
Augusto Queiroz – Jornalista
Primavera 2010 do século 21

 

Vous aimerez aussi...

1 réponse

  1. Francisco Antônio Zorzo dit :

    Realmente Salvador merece uma salvação, um reajuste no sentido ambiental. Nós que vivemos os últimos 40 anos do s. XX acompanhamos uma devastação. Devastação da devastação, no sentido que a colonização foi uma devastação, mas em certa escala replantou coqueirais, que vimos ser derrubados nos anos 80 e 90.
    Mas, quanto à expressão, bem vindo ao deserto do real, de Zizek, gostaria de comentar melhor. Existe um livro de entrevistas com Zizek, que disponho, que explica sua concepção lacaniana do real. O real para o sistema implantado é que surpreende, que transborda e que é excessivo. Mas esse real, que é visto como um zero, um deserto, é por sua vez a possiblidade nova, a fonte de paradoxos, um mecanismo de gozo qualquer. Ele escreveu o texto por ocasião da derrubada das torres gêmeas de Nova York. Algo assim como dizer, ao sistema, caia na real (expressão tão importante para nossa geração).

Laisser un commentaire

Votre adresse e-mail ne sera pas publiée. Les champs obligatoires sont indiqués avec *