« Mariozinho »: oeuvres pour éternité (4)

Querido Mario
Je ne voulais vraiment pas être ici écrivant cela, mais c’est la seule chose que je peux encore faire en ce moment de vide, pour t’avoir encore vivant dans ma mémoire. Et, repoussant mes larmes, je tente de me souvenir de notre première rencontre à New York, en 1970, quand j’ai vu pour la première fois tes images, en noir et blanc, faites dans la capitale de la solitude. Ce fut là, toi, mon unique influence dans la photographie après Bill Brandt, et ce fut aussi là que je connus personnellement un artiste multiple, instigante, naturel. Quelqu’un dont la spécialité et la fonction n’étaient qu’une : créer. Ton absence sera plus terrible jour après jour, observant comment la création photographique, en particulier, a chuté, la création d’une manière générale dans cette époque de manque d’expression, dans cette époque de publicité et de marketing. Et tu es là, artiste innovateur et complet dans tous les secteurs, chemins ouvrants à l’infini, routes par lesquelles j’aime aussi me perdre et me rencontrer de nouveau. Quelques unes desquelles que nous avons suivi ensemble, à l’exemple de la région des sertões en 1976 et 1985. Ensuite ce fut dans le quartier de Boca do Rio (à Salvador) où j’ai été hébergé tant de fois au milieu des portraits de tes personnages, et mes premières rencontres bahianaises. Des rencontres qui ont créé des racines en un déraciné comme moi. Mais à la fin tu as été le maître, aussi, des racines, n’est-ce pas ?
Imagine qu’on m’a téléphoné pour écrire un article sur toi, maintenant. Et pourquoi personne n’a pensé à cela avant, quand tu étais encore ici ? À la fin, nous fûmes toujours impares. Et dernièrement je désirais énormément faire une autre exposition avec toi, comme celle de 1988 au Palazzo Fortuny, à Venise.
Enfin, que dire sur ton oeuvre qui n’a pas déjà été dit, de manière plus habile ? Qu’elle fut une des grandes inspirations qui a couru le monde entier, et qu’aussi nous avons construit des parallèles que beaucoup méconnaissent ? Que ton noir et blanc, par lequel tu fus le plus connu, était seulement une petite part de toi ? Que ta couleur était lyrique quand la mienne était tragique ? Mais aussi bien l’une que l’autre allaient dans les profondeurs de la réalité.
En vérité, ces courtes lignes ne seront pas suffisantes pour évoquer ton oeuvre absolument unique et géniale (à la fin, l’art existe, surtout le vrai, par son individualité, son originalité).
En cela, encore une fois, tu as été irremplaçable.
Et franchement, je n’ai pas d’autres mots, car ils furent toujours insuffisants pour ton oeuvre visuelle. Et ici, de la chaîne-hifi, s’élève Tutu, de Miles Davis, une des nombreuses musiques que tu m’as fait connaître.
Bises et à bientôt.
Miguel

Hommage de  Miguel Rio Branco, photographe brésilien, publié le 11 août 2009. Auteur, entre autres, en France, du livre « Plaisir la douleur »/éditions Textuel/2005. (traduction Bahiaflâneur)

mrbmcn

Miguel Rio Branco et Mario Cravo Neto dans le sertão de Bahia en 1985

Querido Mario
Não queria mesmo estar aqui escrevendo isso, mas é a única coisa que ainda posso fazer neste momento de vazio, para ter você ainda vivo na minha memória. E, afastando as lágrimas, tento me lembrar do primeiro encontro em NY, em 1970, quando vi pela primeira vez suas imagens em preto e branco feitas naquela capital da solidão. Foi ali, você, a minha única influência na fotografia depois de Bill Brandt, e foi também a primeira vez que conhecia pessoalmente um artista múltiplo, instigante, natural. Alguém cuja especialidade e função eram uma só: criar.
A sua falta será mais terrível dia após dia, vendo em que tamanha pobreza caiu a criação fotográfica em particular, a criação em geral nesta época de falta de expressão, nesta época de propaganda e marketing. Logo você, artista inovador e completo em todas as áreas, estradas abertas ao infinito, estradas nas quais também gosto de me perder e me achar de novo. Algumas dessas que percorremos juntos, como nos sertões em 76 e em 85.
Depois foi na Boca do Rio, onde fiquei hospedado inúmeras vezes com imagens de seus personagens retratados, e meus primeiros encontros baianos. Encontros que criaram raízes em um desenraizado como eu. Mas afinal você foi o mestre também das raízes, não foi mesmo? Imagine que me ligaram para escrever um artigo sobre você agora. E por que ninguém pensou nisso antes, quando você ainda estava aqui? Afinal, sempre fomos pares ímpares. E ultimamente queria muito fazer uma outra exposição juntos, como aquela de 1988 no Palazzo Fortuny, em Veneza.
Enfim, o que dizer sobre sua obra que já não tenha sido dito de maneira mais hábil? Que foi uma das grandes inspirações que andou correndo o mundo todo, e que também construímos paralelos que muitos desconhecem? Que seu preto e branco, pelo qual você ficou mais conhecido, era somente um pedacinho de você? Que sua cor era lírica enquanto a minha era trágica? Mas que tanto uma quanto a outra iam fundo na realidade.
Na verdade, essas poucas linhas não serão suficientes para falar de sua obra absolutamente única e genial (afinal, a arte só existe, sobretudo verdadeira, pela sua individualidade, sua originalidade.
E nisso, mais uma vez, você foi insubstituível.
E, francamente, não tenho mais palavras, porque elas sempre foram insuficientes para sua obra visual. E, aqui, no áudio, fica Tutu , de Miles Davis, um dos muitos sons que você me fez conhecer.
Bjs e até breve,
Miguel

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